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domingo, 19 de agosto de 2012

Nossa rotina,

Eu gosto da nossa rotina, das nossas piadas, dos nossos silêncios, das nossas reticências, das nossas risadas. E gosto, também, das nossas brigas. A gente aprende com elas. Eu descubro mais sobre você e conheço outras partes minhas. Aquelas partes que a gente não mostra por vergonha. Reconheço o som do meu grito, vejo minha cara de raiva e meu olhar que assusta quando algo incomoda. E te percebo por inteiro. Seu tom, sua reação, sua ação. Suas verdades, nossas mentiras. E assim a gente vive junto, passando por obstáculos, derrubando o que vem pela frente. E assim vamos ficando mais amigos, mais amantes, mais enrolados um com o outro.


É bom me enrolar com você. Não falo apenas do meu pé que roça no seu pé depois que a gente se deita. Falo de sentir o calor, de olhar para você enquanto dorme, de ver seu sorriso de canto de boca quando eu passo a mão pelo seu rosto quando você está de olhos fechados. E meus dedos fazem aquele barulhinho bom quando roçam na sua barba. E a gente fica assim, colado, grudado embaixo das cobertas esperando o dia amanhecer e a vida continuar. Eu sei, sei que a vida continua enquanto a gente dorme um sono profundo e sonha com o que virá. Mas pra mim as coisas param cada vez que te olho. E eu sei que por mais que o tempo passe vai ser assim. Porque é amor o que eu sinto e sempre vou sentir por você, meu bem.”

Clarissa Corrêa.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Senão o amor não sobrevive.

O amor não é uma desculpa. Você não pode justificar o ciúme com o amor. Sinto ciúme de você porque te amo demais. Eu já disse isso, mas hoje vejo diferente. Se eu amo demais, o problema é meu. Dizer que ama e quantificar o amor só serve para quem sente. Se eu tenho o maior amor do mundo, o mais puro e o que mais me faz feliz o problema é exclusivamente meu. Sabe por quê? Não importa o amor que eu sinto, não para o outro. Para o outro importa como eu demonstro, me comporto e vivo esse amor. O que adianta eu dizer que o meu amor é o mais puro de todos se eu não mostro isso? O amor não é uma palavra bonita. O maior problema do mundo, hoje, é esse. As pessoas acham que falar basta. Não, falar não basta. O amor não tem que ser dito, ele precisa ser sentido, senão ele não sobrevive.



quarta-feira, 9 de maio de 2012

Pra dormir bem...

O que é a vida da gente senão uma repetição de dias, pessoas, cores, modos? Sentimento que se repete, sapato que se repete (a não ser que você seja a Carrie Bradshaw), família que se repete, cor do céu que se repete, mania que se repete. Você está enganado, nem tudo é igual todos os dias. Sentimentos são oscilantes, eles dão um passinho pra frente, por favor. Voltam, dobram na outra rua, estacionam, diminuem a velocidade, cometem excessos, inclusive levam multa salgada. A cor do céu nunca é a mesma, basta você ver. Porque eu conheço muita gente que enxerga mas não vê. O azul tem muitos tons. O sol tem muitas formas de aquecer. O cinza em alguns dias é mais cinza, em outros é menos. As nuvens nunca têm as mesmas formas. Você tem tempo pra ver? Pra se ver? Pra ser? Porque o querer hoje é o que está em evidência. Todo mundo quer, quer, quer. Olha, eu também quero. Papai Noel, eu quero muito. Quero que as pessoas ao meu redor, pelo menos uma vez na vida, vejam. Vejam como a simplicidade é importante, como aquece a alma da gente. Quero que as pessoas sejam. Sejam menos ambiciosas, menos audaciosas, mais calorosas, mais amorosas. Quero que elas sejam, sem máscaras, sem retoques, sem photoshop. Todo mundo é photoshopado, eu gosto é de gente. Preciso da repetição de mim, de saber que estou aqui todos os dias, vendo tudo muito diferente a cada minuto. Preciso da segurança que a repetição me traz, dos braços que ela me estica, do conforto que ela me dá.






Clarissa Corrêa.

domingo, 29 de abril de 2012

Eu lembro, amor...

”[…] Eu lembro, amor. De tudo, cada passo que a gente deu para as diversas direções que já fomos. Lembro das brigas também. Lembro de pensar que o amor é perfeito, que bobeira, o amor é pura imperfeição. Perfeitos só os casais do comercial da Becel (sem sal)… Lembro de já ter ficado triste por te deixar triste. Lembro de me sentir mal com isso. Lembro dos momentos em que a gente foi bobo e feliz. Lembro que sou feliz a maior parte do tempo, pelo simples fato de você existir em mim. Lembro de descobrir que um sentimento não serve para ser dito, como coisa que fica bem em filme ou texto, ele tem que ser vivido de forma plena. Lembro de não conseguir me permitir sentir tanta felicidade assim. Lembro da tua mão, que sempre acha a minha. Lembro dos teus dedos, que sempre me fazem carinho. Lembro da tua boca, que sempre me acalma. Lembro do teu rosto de menino, que me olha como se ainda fosse aquela primeira vez. Lembro de cada coisa que descubro, manias, gestos, pensamentos.”



Clarissa Corrêa.

domingo, 15 de janeiro de 2012

A gente podia...


A gente podia ser mais tolerante um com o outro. Fazer uma corrente do bem, dos bons pensamentos, da sinceridade, da tribo do romance e da delicadeza. E pedir mais. Muito mais. Mais amor. Mais gente fina, elegante e sincera. Mais contas pagas. Mais unhas fortes. Mais bunda lisinha. Mais coxas firmes. Mais beijos na bochecha, na testa e na boca. Mais beijos de língua. Mais beijos de cinema. Mais gente que cuida da própria vida. Mais liquidação.


 Mais bom dia, boa tarde e boa noite. Mais educação. Mais com licença, de nada, me desculpa, obrigada, por favor. Mais livros. E mais leitores. Mais cheirinho de casa limpa e roupa nova. Mais feriado. Mais dias de sol e vento no rosto. Mais outono e primavera. Mais namoro. Mais mãos dadas. Mais abraços acolhedores. Mais conforto. Mais carinho nas costas. Mais massagem nos pés.


Mais dinheiro achado no bolso da calça. Mais água de coco e espumante geladinhos. Mais Pringles e Doritos. Mais shampoo que deixa o cabelo brilhoso. Mais segurança. Mais ar-condicionado. Mais saúde para dar, vender e emprestar. Mais cama boa para deitar. Mais banhos de banheira com espuma. Mais rímel que não borra. Mais calça que não aperta. Mais sapato que não machuca.


 Mais soninho depois do almoço. Mais pôr-do-sol. Mais lambida de cachorro. Mais conversa para resolver os problemas. Mais respeito de telemarketing. Mais respeito no trânsito. Mais respeito no condomínio. Mais respeito na fila do banco. Mais respeito. E ponto. Mais amor ao falar. Mais paciência ao ouvir. Mais cautela ao lidar. Mais roupa bonita no closet. Mais amigos de verdade. Mais sorrisos de verdade. Mais amores de verdade. Mais verdade. E só.


Mais programa bom na televisão. Mais pessoas de boa índole. Mais atenção nas pequenas coisas. Mais decência ao se vestir. Mais silêncio no cinema. Mais condições em hospitais e escolas. Mais noção na cabeça de presidente, governador, prefeito, deputado e vereador. Mais gente ajudando pessoas e bichos. Mais punição para quem faz o mal. Mais chances para quem se mata de tanto trabalhar. Mais criança na escola. Mais pais conscientes. Mais gente que bebe e pega táxi.

Mais amor próprio. Porque antes de amar qualquer coisa ou pessoa você tem que amar você mesmo primeiro.


As belas palavras de Clarissa Corrêa. ( Tem mais no blog dela. Vale muito a pena!)

domingo, 23 de outubro de 2011

E o amor?

E o amor?, você me pergunta. O amor, ah, sei lá. O amor nem dá pra definir direito. Acho que é um desejo de abraçar forte o outro, com tudo o que ele traz: passado, sonhos, projetos, manias, defeitos, cheiros, gostos. Amor é querer pensar no que vem depois, ficar sonhando com essa coisa que a gente chama de futuro, vida a dois. 




Acho que amor é não saber direito o que ele é, mas sentir tudo o que ele traz. É você pensar em desistir e desistir de ter pensado em desistir ao olhar pra cara da pessoa, ao sentir a paz que só aquela presença traz. É nos melhores e piores momentos da sua vida pensar preciso-contar-isso-pra-ele. É não querer mais ninguém pra dividir as contas e somar os sonhos. É querer proteger o outro de qualquer mal. É ter vontade de dormir abraçado e acordar junto. É sentir que vale a pena, porque o amor não é só festa, ele também é enterro. Precisamos enterrar nosso orgulho, prepotência, ciúme, egoísmo, nossas falhas, desajustes, nosso descompasso. O amor não é sempre entendimento, mas a busca dele. Acho que o amor não é o caminho mais fácil, pois mais fácil seria dizer a-gente-não-se-entende-a-gente-não-combina-tchau-tchau. O amor é uma tentativa eterna. E se você topar entrar nessa saiba que o amor encontrou você. Seja gentil, convide-o para entrar.


* Clarissa Corrêa

Boa semana :))

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Eu amo demais...


Eu amo demais. Não vejo pecado nisso, para amar tem que ser inteiro. Sempre fui do Bloco do Exagero. De emoções e tudo mais. Isso traz uma tristezinha breve, não nego. Pra amar tem que ser intenso. E quando existe intensidade a gente vez ou outra se pega pensando se-fosse-eu-teria-feito-assim. É a difícil arte de convencer a si mesmo que o outro, o nome já diz, é outro, outra pessoa. Tem ações e pensamento diferentes. E, também, um amor diferente do nosso: ninguém ama igual, muito menos parecido.


Uma vez ouvi dizer que sempre tem um que ama mais. A gente precisa amar do nosso jeito, com o que tem. Nem sempre o amor é equilíbrio: o amor é a busca dele. Não precisa me amar a mais, eu não preciso te amar a menos. É que quando se ama fundo a gente tira do fundo coisas da gente. E se dá, de grátis, sem pague 2 leve 3, a gente dá tudo e o outro não paga nada. Apesar de amar tanto, não acho que eu ame mais - e não vejo mérito nenhum nisso - só acho que eu sinto mais. Meu jeito de sentir as coisas sempre foi intenso, acho que meu jeito de amar só reflete meu jeito de sentir. E eu preciso conviver com isso.

Sei que ninguém gosta de digerir decepções, ainda mais quando elas querem estapear um sentimento bonito por natureza. Mas não posso fingir que nada aconteceu, não dá para mentir pra gente mesmo. Eu, que gosto tanto do mais, esperei menos eu e mais nós. Esperei mais compreensão, consolo, carinho, cuidado. Nunca tinha me sentido sozinha, foi uma experiência reveladora, doída. Estava inserida em um contexto difícil, pelo amor de deus, era só pensar com o coração. Eu sei que tem gente que leva tudo ao pé da letra, que também se magoa, sei que não sou fácil e quando fico magoada ou nervosa falo baboseiras. O nome diz tudo: baboseiras. Então, entra a sensibilidade de entender um momento, de deixar pra lá palavras ásperas, de fingir que não ouviu quando eu disse "não". Sei que para os homens "sim" é "sim" e "não" é "não", mas todo mundo está careca de saber que às vezes pra mim o não e o sim fazem a dança das cadeiras. Oi?


Em uma situação delicada, a gente tem que pensar menos na gente e mais no outro. Se fosse o contrário, eu teria insistido e ficado ao seu lado, independente do que foi dito. Mesmo se quisesse ficar sozinho, mesmo se tivesse dito que não queria a minha presença, mesmo que. Eu teria ido, por saber o que tudo aquilo significava pra você. Mas essa sou eu: talvez seja por isso que doa tanto.


Clarissa Corrêa.
( Um dos meus blogs preferidos é dessa menina. Escreve muito!!)